Lara MATANA 2017-10-20T00:10:37+00:00

Lara MATANA

Lara Donatoni Matana nasceu em Andradina, cidade do interior de São Paulo – Brasil. Iniciou sua carreira artística aos 22 anos, como autodidata, e na continuidade do desenvolvimento de sua arte ela teve a oportunidade de ser orientada por professores renomados; em desenho, técnicas de pintura e criatividade com a multi- artista Fátima SEEHAGEN; pintura moderna com a professora Jussara AGE; arte contemporânea com o professor Edílson VIRIATO e escultura com Iftahr PELED.

Com o tempo, a artista inovou o seu conceito artístico, desenvolvendo uma técnica que utiliza resíduos de madeiras para a produção de quadros e esculturas.
Em 2007, já com grande aceitação pelo público e com avaliações muito positivas da crítica artística, Lara Matana recebeu honrosamente o convite da Academia Brasileira de Belas Artes – ABBA, à cadeira n° 42 na categoria escultura e no ano seguinte o segundo grau na mesma academia como pintora, tendo como patrono o pintor Henrique BERNADELLI.

Lara MATANA apresentou suas obras em diversas exposiçoes individuais e coletivas em capitais e cidades do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso; como também nos Estados Unidos da América e França.
Atualmente a artista está estabelecida em Valinhos, no estado de São Paulo, Brasil onde sua vida e a arte se misturam.

Convidada por BresilArtFrance, Lara MATANA expõe suas obras ao Salon ArtShopping – Carrousel du Louvre – Paris em outubro 2017.

À FLOR DA MADEIRA, IL MONDO CONSTRUITO DE LARA MATANA
“…é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante…”

Lara Donatoni Matana situa-se no universo dos criadores que operam em harmonia com a Natureza, artistas que se espalham pelo mundo em grupos integrados, células comunicantes, individualidades carismáticas que atuam em defesa do planeta. Mais do que uma atitude estética, trata-se de busca por qualidade de vida que, por si só, já envolve suas criações de uma aura especial. Não obstante essa sintonia, a produção artística de Lara desenvolve-se com descartes de madeira, reutilizados de forma sustentável e inteligente, extraindo efeitos sedutores de placas, caibros, toras, tocos e toquinhos, sarrafos, farpas, lascas e lâminas.
Assim, ela alcança resultados visuais de grande efeito, que remetem às mandalas, aos caleidoscópios, às rosáceas, prismas e arabescos que explodem de suas obras numa profusão harmoniosa de cores e formas. Às vezes, tiram partido da coloração natural da flora, ora conseguem resultados sedutores nos arranjos geométricos ou composições fractais, ora numa sobriedade elegante, transcendente, que toca profundamente quem as aprecia ou com elas convive.

Não bastasse a odisseia para se atingir os resultados apresentados ao público, há ainda a dimensão interior, a energia espiritual de amparo e bondade para com o outro, que permeia os resultados estéticos. A aura de boa-venturança, a sonoridade mântrica, o poema silencioso que nos traz motes de sua convivência com os princípios de Sathya Sai Baba, a busca de equilíbrio dos iogues são componentes em per si.
A artista reverencia ainda, sempre que possível, os artistas que – de alguma maneira – admira e com os quais se identifica como Frans Krajcberg, Arthur Lescher e Ascânio MM. Em alguns momentos, ela sintetiza essa relação no discurso que exalta as magias da Natureza, em outros o rigor, a busca dos materiais nobres ou a opção por inovar e seduzir pelo olhar.

Lara trabalha com a dinâmica de desenhar com lâminas de madeira, recuperadas para a arte depois de servirem como mostruários para a indústria. Estas unidades, tingidas ou expostas naturalmente, adquirem o status de alfabeto, com o qual ela compõe seus poemas visuais, permeados por uma verve construtivista, que empolga os que se aventuram nas trilhas da visualidade, mas que deverá ser cada vez mais explorada na expansão natural que a artista vem experimentando. São obras que se modificam naturalmente, como se modifica nosso olhar com a alternância dos dias, com a alternância das luzes, num processo de aparente magia evolutiva que envolve as grandes obras de arte. Estamos frente a um luminoso ‘mondo construito’ que se manifesta ‘à flor da madeira’ para trazer nossas emoções ‘à flor da pele’.

PAULO KLEIN
Crítico de Arte

OBRAS

Rosaceas_verde_BresilArtFrance

Rosaceas verde

Rosaceas_vermelho_BresilArtFrance

Rosaceas vermelho

Díptico Rosáceas

Vagueando pelas obras de Lara Matana, logo se percebe que não há uma forma de mensurar onde a madeira termina e onde a artista começa. Ambas se fitam, conversam e se encontram, desnudas de conceitos e revelando a força que o homem possui ao encontrar o equilíbrio com a natureza, ao mesmo tempo em que desta resignifica o olhar sobre as artes.

Em todo seu trabalho, a artista procura dar materialidade às diferentes manifestações da luz utilizando-se da matéria prima madeira. Nesta série, a luz se revela em tonalidades de vermelho e verde, instantes de brilho em constate movimento. As palhetas feitas de resíduos (sobras de madeira não aproveitadas) constituem a linguagem pela qual a artista procura corporificar sua rica imaginação e assim desenvolve composições de cunho geométrico e intuitivo.

As formas variam entre alusões a rosas em desabrochar. Essas lâminas, que já lhes vem coloridas de vermelho, preto, bege ou marrom, e verde são muito bem aproveitadas no sentido de exercitar o lado construtivo de sua invenção. Lado que explora a volumetria do efeito óptico da luz, criando profundidades, sensações e esgarçando o sentido do objeto final. Tal como Umberto Eco dizia, a obra de Matana aqui é aberta. Aberta aos sentidos que o espectador será tocado e carregada de um devir arte que reverbera.